DA REDAÇÃO — A 11ª Conferência Municipal de Saúde de Olímpia, realizada na Câmara Municipal na última quinta-feira (13), trouxe para o centro do debate a necessidade de modernização do sistema de saúde pública, alinhando tecnologia e humanização no atendimento. Matéria exclusiva do Diário

Com o tema “Olímpia Inteligente na Saúde Digital”, o evento foi aberto pelo prefeito Geninho Zuliani, seguido pelo vice-prefeito e secretário municipal de Saúde Márcio Iquegami, que apresentou um panorama da saúde no município, e finalizado pela representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Érika da Fonseca, que explanou sobre o Projeto SUS Digital.

Olmos: “Acreditamos nos profissionais da Saúde e na gestão Geninho”

O presidente da Câmara Municipal de Olímpia, Flávio Olmos, destacou o papel essencial dos profissionais da saúde na estrutura do serviço público. Durante sua fala, Olmos ressaltou que a Câmara está aberta para ouvir e apoiar os servidores da saúde, reconhecendo os desafios enfrentados pela categoria e a importância de sua atuação.

“Acreditamos na gestão do prefeito Geninho, que está apenas começando, mas sabemos que o pilar da saúde são vocês, os profissionais que estão na linha de frente todos os dias”, afirmou. O presidente reforçou que o Legislativo municipal estará ao lado dos servidores para garantir melhorias nas condições de trabalho e no atendimento à população.

Flávio Olmos, presidente da Câmara Municipal de Olímpia

A conferência abordou os desafios enfrentados pela rede municipal de saúde, a necessidade de reestruturação financeira, o fortalecimento da atenção básica e a importância da tecnologia para aprimorar a gestão e o acesso da população aos serviços.

Jornalista Cléber Luís foi o cerimonialista da 11ª Conferência

Geninho: valorização dos profissionais e melhorias estruturais

O prefeito Geninho Zuliani abriu o evento ressaltando a importância da conferência para discutir avanços e desafios na saúde municipal. Ele enfatizou a necessidade de fortalecer a atenção básica e melhorar a estrutura das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

“A UBS é o coração do município. Precisamos garantir que os profissionais tenham um ambiente de trabalho adequado e que a população encontre um espaço bem conservado e acolhedor. Quando investimos na saúde básica, evitamos a superlotação da UPA e da Santa Casa”, destacou.

Geninho: “Precisamos de profissionais que, além da capacidade técnica, tenham vocação para gostar de gente”

O prefeito também reconheceu que, embora a saúde municipal tenha uma estrutura considerada satisfatória, há muito a ser feito para melhorar a qualidade dos serviços. Ele enfatizou a importância de um atendimento humanizado e da valorização dos servidores. “Precisamos de profissionais que, além da capacidade técnica, tenham vocação para gostar de gente, que saibam acolher com um sorriso, com atenção e carinho”, disse.

Zuliani destacou que a Prefeitura está empenhada na valorização dos servidores, incluindo estudos para equiparação salarial com outras cidades e com o setor privado. “Sei que muitos de vocês poderiam ser mais bem reconhecidos, e estamos trabalhando para melhorar isso, seja no salário, na progressão de carreira ou na estrutura de trabalho”, pontuou.

Geninho ainda mencionou o projeto “Olímpia Sem Papel”, que prevê a digitalização completa da administração pública, incluindo a Secretaria de Saúde. “Hoje, utilizamos apenas 18% da capacidade do nosso software de gestão. Isso é desperdício de dinheiro público. Precisamos informatizar tudo para garantir mais eficiência”, explicou.

Iquegami: “Herdamos um orçamento mal planejado”

O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Márcio Iquegami, fez um diagnóstico da situação financeira e administrativa da pasta, apontando problemas orçamentários e estruturais que precisaram ser enfrentados nos primeiros meses de gestão.

Iquegami: “Nós não estamos aqui para lamuriar, mas para colocar os pontos, as dificuldades que encontramos”

“Assumimos uma secretaria com um orçamento mal planejado. Enquanto se falava em cofres públicos lotados, encontramos apenas R$ 148 mil de recursos próprios disponíveis para a saúde. Além disso, o orçamento da Santa Casa foi reduzido à metade do necessário para cobrir os custos reais”, revelou.

Iquegami também expôs problemas na frota de ambulâncias do município. “De 29 veículos, apenas nove estavam funcionando. Ambulâncias novas ficaram meses paradas por falta de manutenção. Estamos regularizando essa situação, porque o transporte adequado é essencial para os pacientes que precisam de atendimento em outras cidades”, disse.

Entre as soluções emergenciais adotadas, o secretário citou a reestruturação do fornecimento de medicamentos, a retomada de cirurgias na Santa Casa e a ampliação do horário de funcionamento de unidades básicas. “A partir de abril, a UBS do Campo Belo terá atendimento estendido até as 20h, desafogando a UPA e garantindo que os casos menos graves sejam resolvidos com mais agilidade”, anunciou.

Santa Casa e ampliação do atendimento hospitalar

A ampliação da Santa Casa também foi um dos temas centrais da conferência. Iquegami afirmou que a gestão pretende expandir em até 80% a capacidade de atendimento e atrair mais médicos especialistas.

Iquegami: “Quando cuidamos da atenção básica, reduzimos a superlotação na UPA e na Santa Casa”

“Precisamos resgatar a credibilidade da Santa Casa. No passado, Olímpia era referência em saúde e recebia pacientes de cidades vizinhas. Queremos recuperar essa força, trazendo mais médicos, especialidades e ampliando os serviços do SUS”, explicou.

Ele também abordou a necessidade de equilibrar o atendimento entre pacientes do SUS e particulares. “Hoje, 90% dos atendimentos da Santa Casa são SUS, quando o ideal seria 60%. Isso compromete a sustentabilidade financeira do hospital. A solução não é diminuir o SUS, mas aumentar a capacidade total de atendimento”, esclareceu.

SUS Digital e a modernização da saúde pública

Encerrando a conferência antes do início dos grupos de trabalho, a representante da OPAS, Érika da Fonseca, apresentou o Projeto SUS Digital, uma iniciativa do Ministério da Saúde voltada à modernização do atendimento por meio da tecnologia.

“O SUS Digital já está em implantação em várias regiões do Brasil e Olímpia faz parte desse movimento. A tecnologia não substitui o atendimento humano, mas otimiza processos, amplia o acesso e melhora a resolutividade dos serviços”, explicou.

A especialista destacou que todos os municípios do Estado de São Paulo aderiram ao SUS Digital, e Olímpia já passou pela primeira fase do projeto. “O município respondeu ao diagnóstico situacional e está alinhado com a segunda fase do programa, que envolve a implementação prática das ferramentas digitais”, disse.

Entre as soluções previstas pelo SUS Digital, estão a teleconsultoria entre profissionais de saúde, o telediagnóstico, que permite a emissão de laudos médicos a distância, e o prontuário eletrônico integrado, garantindo que o histórico do paciente seja acessível em todas as unidades do SUS.

Ela também ressaltou que a integração ao Sistema Nacional de Dados de Saúde (RNDS) permitirá um acompanhamento mais eficiente dos pacientes, evitando repetições de exames e garantindo continuidade no tratamento. “O futuro da saúde pública passa pela tecnologia e pela humanização. Precisamos aliar eficiência, acolhimento e inovação para oferecer um atendimento digno à população”, concluiu.

Discussões e encaminhamentos

Após as apresentações, os participantes se dividiram em grupos de trabalho para aprofundar as discussões e elaborar propostas concretas para aprimorar a saúde no município. Os resultados desses debates serão utilizados para a formulação do Plano Municipal de Saúde para os próximos anos.

A 11ª Conferência Municipal de Saúde reforçou o compromisso da gestão municipal com a modernização do sistema de saúde de Olímpia. A digitalização, a ampliação do atendimento hospitalar e a valorização dos profissionais foram os principais pontos debatidos, demonstrando que a cidade está se preparando para uma nova fase na prestação de serviços de saúde.