11009931_942176742488204_2944246914932745932_nStéll Albuquerque — Sim, você leu certo. Eu escrevi pós-digital mesmo. E não foi por acaso. Hoje eu venho resenhar minha experiência ao ler a obra do Walter Longo “Marketing e Comunicação na Era Pós-digital”. Sei que é difícil entender de início o conceito de “pós-digital” enquanto o mundo grita por digital o tempo todo, mas vamos avançar e entender um pouco do contexto histórico para nos situar melhor.

Tomemos a Revolução Industrial, durante pós guerra, como ponto de referência para uma era cheia de transformações aceleradas. Naquela época, o avanço tecnológico causou choque cultura de difícil adaptação. A sociedade, que antes vivia de artesanatos, agora estava sendo apresentada à manufatura. Esse período também foi marcado pela construção de hierarquia empresarial que espelha muitas das relações de trabalho que ainda vivemos hoje.

No entanto, naquele momento ninguém falava sobre a tal “revolução industrial”, tentava-se a adaptação a qualquer custo, mas não havia a consciência das alterações que a sociedade estava sofrendo. Segundo Longo, “durante períodos revolucionários se torna mais difícil perceber que fazemos parte deles”.

O processo de globalização vivido pelo mundo democratizou o acesso à tecnologia, que antes era um privilégio de poucos. A era digital trouxe grandes avanços ao permitir que a informação estivesse ao alcance “de todos”.

Essa cultura global favoreceu a inclusão digital em países emergentes, aumentando a qualidade de vida das pessoas que agora tinham acesso a uma educação que não tivera antes.

O que é a Era Pós-digital?

Pois bem, então o que seria a tal era pós-digital? Quando ela vai chegar? Será o apocalipse tecnológico?

Walter afirma que já estamos vivendo o pós-digital. Ele explica que a presença da tecnologia digital hoje é tão ampla e onipresente que, na maior parte do tempo, nem notamos que ela está lá. Tal como a eletricidade, nós só percebemos a sua existência quando falta. Já superamos o mundo analógico, é difícil imaginar boa parte do que fazemos hoje sem a presença da tecnologia digital. Atualmente não há diferença ente mundo digital e mundo real, entre on e offline. Está tudo junto.

Entendido o conceito da nova era, vamos entender o quais são as novidades e características que ela traz consigo, como e porque precisamos nos adaptar e quebrar paradigmas para viver esse novo começo.

O momento Tesarac

O termo “tesarac” foi criado pro Shel Silverstein e serve para nomear momentos em que a sociedade é tomada pelo caos e desorganização até o surgimento de uma nova ordem que a recomponha. E esse talvez seja o melhor termo para nomear também o momento em que estamos vivendo. Um ponto de partida de uma era de grandes revoluções, mas com paradigmas e certezas que nos seguram ao passado.

Longo explica:

“É uma espécie de dobra no tempo, em que não adianta olhar para o que fizemos nem tentar adivinhar o que faremos. Em momentos tesarac, o que existe já não vale mais, mas o que passa a existir também não substitui o anterior em todas as dimensões. É como se primeiro precisássemos destruir para depois construir.”

Por que quebrar paradigmas?

Se é preciso “destruir para construir”, comecemos pelos nossos paradigmas. Assim como foi na transição do som para a imagem com a chegada da TV, é com a junção entre mundo on e offline. Existem novas regras e prioridades para serem estabelecidas, e claro, novos paradigmas.

Não dá para comunicar o futuro baseado em conceitos passados. É preciso esquecer antigos rituais e se ajustar a uma nova realidade. Existe um agravante ainda maior para os profissionais de marketing e comunicação que se respaldam em conceitos que não valem mais: eles são responsáveis por mediar a relação de empresas com o seu target e, enquanto alguns profissionais ainda olham para o passado, esse público já está vivendo na era pós-digital.

“Fica cada vez mais claro que enquanto as empresas e anunciantes estão subindo o edifício dessa nova era pela escada, os consumidores estão subindo pelo elevador.”

Do que é feito esse novo começo?

Apesar de ser um novo conceito e uma nova era, o pós-digital já possui características próprias. São seis macrotendências que reformulam esse novo começo.

São elas:

Efemeridade

É a capacidade de se renovar em ciclos cada vez mais curtos. É possível observar o surgimento de uma marca que domina o mercado e desaparece completamente em um período inferior a uma década. Para se adaptar a efemeridade do mundo pós-digital as empresas precisam agir com antecipação e manter a velocidade em suas ações e decisões.

Mutualidade

A mutualidade diz respeito a habilidade cada vez maior das máquina se comunicarem entre si, uma tendência fortalecida pela internet das coisas. Esse movimento deve inspirar a capacidade criativa humana e valorizar o ROL (return of learning) sob o ROI (return of investment).

Multiplicidade

Trata-se de ver o mercado de maneira holística. Hoje é inútil pensar o mercado por ferramentas (impresso, eletrônico ou digital) e ignorar o organismo como um todo. É preciso dividir por função ou processo para entender e acompanhar melhor a comunicação cada vez mais rápida, interativa e caótica.

Sincronicidade

Entender que as pessoas não são, elas estão, é o ponto de partida para acompanhar a constante alteração de hábitos que estamos vivendo. Afinal, diante de um mundo cheio de transformações, se as pessoas mudam, as abordagens do mercado devem acompanhar de maneira sincronizada.

Complexidade

A complexidade trata-se da importância de orquestrar as diversas atividades de modo que exista um nexo entre elas. É conectar ações para que possam formar um todo.

Tensionalidade

A união de tensão e irresistibilidade compõe uma equação que resulta em uma personalidade marcante que vai se destacar em meio a uma multidão.

“O neologismo significa a capacidade de incluir aspectos de tensão à personalidade coesa de uma pessoa ou marca.”

Esses foram apenas alguns insights presentes na obra do Walter Longo. Certamente um livro que tem muito a acrescentar ao profissionais que trabalham com comunicação, marketing, publicidade e afins. Uma leitura importante para compreender o que é a era pós-digital e como funciona o momento de transformações e adoção de novas posturas que estamos vivendo.

Após tantas consultas, o meu livro já virou um oráculo e já estou com vontade de ler novamente, mas agora com uma visão macro da temática.  Leitura recomendada!

11009931_942176742488204_2944246914932745932_n.jpg* Stéphanie é muito grande, podem me chamar de Stéll. Sou pós-graduanda em Comunicação e Marketing de Mídias Digitais (um dia eu termino o TCC), trabalho com Marketing Digital e agora escrevo pro Digaí. Sou apaixonada pela internet, gosto de ler, andar de bike e tomar café. Me segue! Snap: @stellalbuqrq 😉

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