Um golpista tentou clonar o WhatsApp de pelo menos quatro jornalistas do Diário da Região, de Rio Preto, anteontem, segunda-feira (7). Ele se identificou como José Carlos, disse ser funcionário do Ministério da Saúde e estar fazendo uma pesquisa para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em seguida, pediu para responder a três perguntas referentes a Covid-19. As ligações partiram do número (11) 95460-2775. Do Diário da Região

Em Olímpia, o radialista Valter Carucce foi tentado a realizar ‘empréstimo’ à um membro da família (golpista) que estava ‘em necessidade’ de pagar fornecedor de materiais de móveis planejados, mas, felizmente, sabedor de como funciona o golpe, não caiu. A falsa parente queria um ‘empréstimo via PIX’ de R$ 1,8 mil ‘para devolver com juros na manhã seguinte’. O radialista ‘enrolou’ o golpista por uma hora e meia que, nervoso, depois bloqueou Carucce. A verdadeira parente, posteriormente, confirmou que o WhatsApp havia sido clonado. “Fico meio sem graça de te pedir, pela manhã realizei pagamentos pelo PIX e o limite diário excedeu, vim até a minha agência resolver, mas só vou conseguir amanhã pela manhã, daí escreveu… TU PODE resolver?”, o ‘tu pode’ acendeu a luz vermelha, mas o golpe já é manjado.

O golpe seria via PIX em nome de Alessandra Paim Floriano Lobo (nome também conhecido de outros golpes semelhantes registrados na Delegacia de Polícia Civil de Olímpia), com CPF 987.191.901-82, WS Pagamentos.

NO DIÁRIO DA REGIÃO

A reportagem pediu novamente para confirmar de qual órgão o rapaz estava falando. “É do grupo de pesquisa do Ministério da Saúde”, afirmou o golpista. Ele perguntou se sentiu algum sintoma de Covid-19, se realizou exames e quantas pessoas foram contaminadas pelo coronavírus. Depois, afirma que a pesquisa foi realizada com “sucesso”. Em seguida, diz que seria gerado um número de protocolo, com seis dígitos, e encaminhado por SMS para a pessoa que recebeu a ligação.

Aqui, a pessoa que recebe a ligação deve ficar atenta, porque o “protocolo”, na verdade, é o código de ativação do WhatsApp. Ao informar a sequência numérica, a vítima perde o acesso ao aplicativo de mensagens. A partir daí, o golpista pode se passar pela pessoa para pedir dinheiro a familiares e amigos.

A reportagem usa um nome fictício de “Cláudio” e informa um código incorreto ao golpista. Ele tenta usar os números, mas não consegue clonar o WhatsApp. Depois, a reportagem solicita o reenvio do número. Neste momento, o rapaz desconfia, se irrita por não conseguir o que queria e dispara: “O senhor está dando de palhaço? Vai dar o ra**”, disse o golpista desligando o telefone em seguida.

Como evitar o golpe

O delegado da Polícia Civil de Santa Fé do Sul, Higor Vinicius Nogueira Jorge, especialista em crimes cibernéticos afirma que esse tipo de fraude é muito comum. A “clonagem do WhatsApp” ocorre porque o criminoso entra em contato com a vítima e pede para ela informar um código de segurança que será enviado via SMS dentro de alguns minutos.

“O problema é que o código de segurança informado é aquele utilizado para instalar o WhatsApp da vítima no celular do criminoso. Depois disso o criminoso passa a pedir dinheiro para familiares e amigos das vítimas. Chama a atenção a criatividade dos criminosos que criam as mais variadas justificativas para convencer as vítimas para que informem o referido código”, escreve o delegado.

De acordo com Jorge, um modo de evitar esse tipo de crime é não informar para outras pessoas o código de segurança recebido via SMS e configurar a “confirmação em duas etapas” do WhatsApp que envolve habilitar um e-mail e um PIN de segurança de seis dígitos. “A partir da configuração dessa segunda camada de verificação, para que o criminoso consiga clonar o telefone da vítima será necessário que ele saiba o código de segurança recebido via SMS e o PIN de segurança que a vítima escolheu ou que a vítima clique em um link recebido por e-mail para desabilitar a ‘confirmação em duas etapas'”, afirmou.

Como ativar a verificação em duas etapas

Para evitar esse tipo de golpe, o primeiro passo é jamais informar a desconhecidos qualquer tipo de número que receber por mensagem de texto (SMS). Sem essa sequência numérica, criminosos não podem ter acesso a sua conta no WhatsApp.

Para reforçar ainda mais a proteção, é possível criar uma segunda camada de autenticação. Trata-se do recurso de autenticação em duas etapas, em que o usuário cria um PIN, ou seja, uma senha numérica, que deve ser informada sempre que tentar usar a conta em outro dispositivo.

Com isso, mesmo que um golpista tenha acesso ao código de autenticação que chega por SMS, não conseguirá acessar a conta porque precisará do PIN, que somente o usuário sabe.

Para ativar a verificação em duas etapas, abra o WhatsApp, vá em “Configurações”, depois em “Conta”, depois em “Verificação em duas etapas”. Por fim, toque em “Ativar” e siga as instruções na tela para criar seu PIN.

“Se você receber um e-mail para desativar a verificação em duas etapas sem tê-lo solicitado, não clique neste link. Outra pessoa pode estar tentando registrar o seu número no WhatsApp”, alerta a empresa responsável pelo aplicativo.

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