DA REDAÇÃO / EXCLUSIVO — Eleito vice-prefeito de Olímpia, o médico e vereador Márcio Iquegami abordou, em entrevista ao Diário, os desafios que terá ao lado do prefeito eleito Geninho Zuliani e fez críticas à atual situação da saúde pública na cidade. Entre os pontos abordados, Iquegami criticou a gestão da Santa Casa e apontou a falta de um Corpo Clínico atuante como um dos fatores que levaram ao afastamento de médicos e especialistas. E também revelou tensões políticas com o prefeito Fernando Cunha. A entrevista completa, em vídeo, aqui:
Ao detalhar os desafios para a área da saúde, Márcio Iquegami ressaltou que a situação da Santa Casa demanda atenção urgente. “Precisamos ampliar a Santa Casa e oferecer mais leitos. Mas não se trata apenas de infraestrutura. É essencial que a gestão da Santa Casa seja reformulada para gerar recursos e atender à população com qualidade”, disse. Para ele, a ausência de um Corpo Clínico atuante é um problema crítico, que afasta profissionais e prejudica o atendimento.

“Hoje, muitos médicos se afastaram da Santa Casa. Falta união, falta discussão e, principalmente, participação. Sem um Corpo Clínico ativo, os médicos acabam buscando outras fontes de renda e se afastam da instituição. Eu mesmo saí do plantão de ortopedia há quatro anos por falta de condições”, afirmou Iquegami.
Ele ainda comentou a necessidade de retomar reuniões clínicas e discussões em equipe para atrair e manter os profissionais no município. “Precisamos reviver o Corpo Clínico e fomentar o diálogo. A falta desse espírito corporativo desmotiva e leva os médicos a buscar alternativas fora da Santa Casa.”

Márcio Iquegami questiona modelo de novo hospital
Durante a entrevista, Márcio Iquegami se posicionou de forma crítica em relação ao modelo de um novo hospital para Olímpia, cuja proposta inclui a destinação de 40% dos leitos para convênios particulares. Para ele, essa divisão contraria o propósito de atender à população que depende exclusivamente do SUS, especialmente em um momento em que há alta demanda por leitos e serviços públicos na cidade.
“Se estamos investindo recursos públicos, a prioridade deve ser o atendimento pelo SUS. Não vejo sentido em direcionar uma parte significativa dos leitos para convênios particulares. Nossa prioridade deve ser suprir a necessidade do atendimento público, já que essa é a função principal de um hospital municipal”, afirmou Iquegami.

Ele argumenta que o novo hospital, da forma como está proposto, não atende plenamente às expectativas de ampliação da assistência pública. “Destinar 40% dos leitos para o setor privado implica utilizar fundos públicos para beneficiar um número menor de pessoas. Precisamos buscar alternativas para fortalecer o setor privado sem comprometer recursos que deveriam ser destinados integralmente à saúde pública”, ressaltou.
Iquegami reforçou que, caso o projeto avance, será importante garantir que a estrutura seja prioritariamente voltada para o atendimento público, evitando uma sobrecarga ainda maior sobre a Santa Casa e a rede básica. “A ampliação do SUS e a criação de novos leitos são urgentes. O modelo misto proposto não é a melhor solução para as necessidades de saúde de Olímpia”, pontuou.
Relação com Fernando Cunha e Transição
Márcio Iquegami abordou a mudança em sua relação com o atual prefeito de Olímpia, Fernando Cunha. Iquegami, que foi líder de Cunha na Câmara Municipal durante dois anos, explicou que o relacionamento passou por uma ruptura à medida que ele se alinhou politicamente com o prefeito eleito, Geninho Zuliani.

“No começo, fui líder do Fernando por dois anos, e sempre procurei trabalhar de forma alinhada. Mas, ao longo do tempo, especialmente após a última eleição, ele passou a me ver como aliado do Geninho, e isso mudou a dinâmica entre nós. Minhas críticas, que sempre foram construtivas, começaram a ser vistas como oposição”, afirmou Iquegami.
Segundo o vice-prefeito eleito, a relação com Cunha foi se desgastando conforme ele fazia questionamentos sobre algumas políticas e decisões da atual administração. “Minha intenção sempre foi contribuir, mas comecei a ser tratado como adversário. Acho que ele passou a me ver como inimigo político, o que não condiz com minha visão de gestão. Eu acredito que a política precisa de diálogo e transparência, e essa falta de comunicação se tornou um problema recorrente”, declarou.
Iquegami destacou que a gestão de Cunha carecia de uma abertura maior para discussões, inclusive com os vereadores, e defendeu a importância de uma política de diálogo para construir soluções coletivas. “Sentimos falta de debates mais profundos e transparentes. Quando você faz parte de uma administração pública, precisa estar aberto a ouvir diferentes opiniões e críticas. Sem esse espaço de troca, é difícil avançar e tomar decisões que realmente representem a vontade popular”, disse.

O vice poderá ser até Secretário
Iquegami garantiu que, como vice, estará disponível para colaborar em todas as áreas necessárias. “Estou à disposição do Geninho para o que ele precisar. Quero ser atuante, especialmente na saúde, mas também posso contribuir em outras áreas, como educação. Acredito que um bom vice deve estar presente e disposto a apoiar em qualquer frente”, concluiu.
Com críticas e propostas claras, Iquegami reforça que a nova gestão buscará diálogo e melhorias significativas para a saúde pública de Olímpia.











































