Da Redação — O presidente da Câmara, engenheiro e vereador Luiz Antonio Moreira Salata (PP), publicou no Portal do legislativo olimpiense, e aqui reproduzimos, um texto sobre o Dia da Bandeira Brasileira que, por sinal, se comemora hoje, 19 de novembro.

E não é feriado, por isso, em tempos ‘modernos’, pouca gente se lembrou, mas não Salata. Leia o texto abaixo e compreenda um pouco mais sobre este importante símbolo nacional:

Hoje, dia 19 de novembro comemora-se o dia da bandeira. Pouca gente se lembra que existe um ‘dia da Bandeira Brasileira’, mas essa data marca a criação da bandeira republicana através de um decreto no dia 19 de novembro de 1889. Todo ano, nesse dia, as bandeiras em mau estado devem ser incineradas, num procedimento feito pelas forças armadas.

A bandeira nacional tem uma ligação muito estreita com a astronomia e eu queria aproveitar a data para contar algumas curiosidades sobre o “lábaro que ostenta estrelado”.

Muitas bandeiras pelo mundo usam elementos de astronomia em seus desenhos, principalmente estrelas.

Na grande maioria das vezes são estrelas que guardam algum significado, todavia estão fora de um contexto astronômico maior. Por exemplo a bandeira dos EUA. Cada estrela representa um estado americano, mas elas estão empilhadas, não formam constelações.

estrelas2

Nesse quesito de constelações temos a bandeira da Austrália e da Nova Zelândia que ostentam o Cruzeiro do Sul estampados.

No caso da Austrália a estrela Rigel Kentaurus, a alfa do Centauro, também dá as caras e o Cruzeiro em si tem 5 estrelas.

Já a bandeira neozelandesa tem só o Cruzeiro em versão econômica, com 4 estrelas.

A bandeira do Nepal possui o Sol e a Lua, bandeiras de países islâmicos estampam uma estrela e uma Lua Crescente, como a bandeira da Argélia por exemplo. Na bandeira do Japão, o círculo vermelho representa o Sol.

Mas, de todas as bandeiras nacionais, a nossa tem uma característica especial, as estrelas que estão estampadas nela não só estão organizadas em constelações, como também representam o céu no dia da proclamação da República! Nesse aspecto a bandeira brasileira deve ser única no mundo por carregar uma verdadeira carta celeste.

É assim.

As estrelas que figuram na bandeira nacional formam parte das constelações do céu na data de 15 de novembro de 1889. Mais precisamente, a bandeira exprime o céu do Rio de Janeiro às 08:30 da manhã, como se o observador estivesse fora da abóboda celeste, ou seja, o céu com aspecto invertido ao que vemos. Esse é o panorama do céu na data e hora acimas.

estrelas na bandeira

Cada estrela da nossa bandeira representa uma unidade da federação, conforme a figura abaixo indica. Por exemplo, alfa do Cruzeiro (a Estrela de Magalhães) representa o estado de São Paulo, aliás todo o Cruzeiro do Sul representa os estados da região sudeste do país, exceto pela estrela gama do Cruzeiro (conhecida como Rubídea pela cor avermelhada) que representa a Bahia.

O Distrito Federal é representado pela estrela Sigma do Oitante, uma estrela muito fraca, no limite da visão humana de quarta magnitude. Essa estrela tem pouco destaque no céu austral, no que diz respeito ao seu brilho. Por representar a capital do país, seria esperado que a estrela escolhida fosse de primeira grandeza, mais brilhante, mas a escolha recaiu sobre ela por que ela é a estrela mais próxima do polo sul celeste. Dessa maneira todas as outras estrelas (ou estados no caso) vão girar em torno dela em seus movimentos aparentes.

Desde a sua criação, em 1889, o número e o simbolismo das estrelas foi alterado com a criação de novos estados, originalmente eram 21 estrelas. A estrela alfa da Hidra, que representava o antigo estado da Guanabara, passou a simbolizar o estado do Mato Grosso do Sul quando ele foi criado em 1979. A única estrela a figurar acima do lema “Ordem e Progresso” representa o estado do Pará. Isso por que em 1889, o Pará era o estado com cuja capital estava mais ao norte do país. Belém ainda continua lá, mas com a criação do estado de Roraima, Boa Vista agora ostenta este título. Aliás, é a única capital brasileira situada no hemisfério norte. A estrela que representa o Pará é Spica, alfa da constelação de Virgem e Roraima é representada por Wezen (delta do Cão Maior).

Mas o rigor astronômico passou longe da representação na bandeira.

Em primeiro lugar por quê representar o céu de dia, com estrelas que não se pode ver? O motivo geralmente aceito é que a proclamação da República tenha se dado perto desse horário. Os relatos dos fatos não são precisos quanto ao horário dos acontecimentos, Deodoro da Fonseca teria saudado a República ainda de madrugada e depois disso teria voltado para casa, daí para frente os relatos são imprecisos. Outra possível razão pode ser exclusivamente estética. Nesse horário, como vemos, o Cruzeiro do Sul está na posição vertical. Ao que parece, havia interesse dos republicanos que desenharam a bandeira para que o Cruzeiro estivesse em posição de destaque. Tanto é que se fossem mantidas as proporções entre as constelações presentes na bandeira, para o Cruzeiro ficar tão grande, o Escorpião precisou ser encolhido absurdamente, caso contrário só uma pequena parte dele estaria lá. Aliás, o Escorpião foi totalmente deformado nesse processo de encolhimento, ele é uma das constelações mais fáceis de se identificar no céu pela sua semelhança com um escorpião de verdade. Na nossa bandeira ele ficou quase irreconhecível.

Aliás, as constelações representadas na bandeira brasileira são (ainda que parcialmente): Virgem (uma estrela), Cão Maior (6 estrelas), Cão Menor (uma estrela), Hidra (2 estrelas), Carina (uma estrela), Cruzeiro do Sul (5 estrelas), Escorpião (8 estrelas), Triângulo Austral (2 estrelas) e Oitante (uma estrela). Inexplicavelmente, duas estrelas muito brilhantes e que acompanham o Cruzeiro tão de perto que são chamadas de ‘Guardiãs do Cruzeiro’ (alfa e beta do Centauro) não foram representadas.

Para finalizar esse ‘fun with flags’ nacional (entendedores entenderão), algumas curiosidades: a estrela mais brilhante do céu (e também na bandeira), Sírius, representa o estado do Mato Grosso. Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins, os quatro estados mais jovens da federação, ganharam estrelas da constelação do Cão Maior, respectivamente beta, gama, delta e épsilon. As estrelas mais brilhantes das constelações estampadas na bandeira, as alfas, representam os seguintes estados: Pará (Spica, Virgem), Amazonas (Procyon, Cão Menor), Mato Grosso do Sul (Alphard, Hidra), Mato Grosso (Sírius, Cão Maior), Goiás (Canopus, Carina), São Paulo (Estrela de Magalhães, Cruzeiro do Sul), Piauí (Antares, Escorpião) e Rio Grande do Sul (Atria, Triângulo Austral).

É isso!

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