DO DIÁRIO — O prefeito Geninho Zuliani abriu a audiência pública de revisão do Plano Diretor de Olímpia, na Câmara Municipal, na segunda-feira (30), com duras críticas a loteamentos irregulares e ao crescimento desordenado da cidade. Ele defendeu que a expansão urbana seja guiada por critérios técnicos e estudos de longo prazo, não por interesses políticos imediatos.

Segundo Geninho, o avanço de Olímpia, impulsionado pelo turismo e pela logística, exige planejamento para 10, 15 ou até 50 anos à frente. “O crescimento não pode depender somente de vontade política. Tem que depender de técnica, de exames e de estudos para que segurança, educação, emprego e infraestrutura avancem junto com a cidade”, disse.

O prefeito classificou como crime o parcelamento irregular do solo, que prejudica a infraestrutura e o meio ambiente. “Quem parcela, quem compra e quem vende lote irregular está cometendo crime. Não respeita áreas institucionais, verdes, nem faz drenagem correta, aumentando riscos de acidentes e problemas de saneamento”, afirmou. Citou ainda que o município já identificou loteamentos, como o “Sonho Meu”, que terão suas situações analisadas na revisão do Plano Diretor.

Água e meio ambiente como prioridade estratégica

Geninho ressaltou que Olímpia depende do Aquífero Guarani, cuja recarga não ocorre na cidade, e defendeu uma política de uso racional da água. “Temos que pensar Olímpia do ponto de vista da água. Isso é estratégico para o futuro”, frisou, citando a necessidade de preservação das nascentes e matas ciliares.

Vazios urbanos e especulação imobiliária

O prefeito alertou que áreas vazias com infraestrutura pronta, mas sem ocupação, encarecem a moradia popular. Anunciou um chamamento para que proprietários ofereçam terrenos a preços acessíveis para programas como o Minha Casa Minha Vida, evitando empurrar famílias para regiões distantes.

Ele também criticou a retenção de imóveis como casas de veraneio, que reduz a oferta de aluguel permanente e pressiona os preços. “É preciso discutir instrumentos como o IPTU progressivo para estimular o uso dessas áreas e imóveis”, pontuou.

Zona rural no centro do debate ambiental

Ao encerrar, Geninho disse que a Prefeitura precisa ampliar a estrutura administrativa para cuidar melhor da zona rural, onde se concentram as nascentes e matas essenciais para a qualidade de vida da cidade. “A preservação das nascentes e das matas será fundamental para garantir água e qualidade de vida no futuro”, concluiu.

Próximas etapas da revisão do Plano Diretor

  • Setembro/2025: Apresentação da proposta preliminar com base nas contribuições da população.

  • Outubro/2025: Audiência pública final com minuta do projeto de lei.

  • Novembro/2025: Envio do projeto de lei à Câmara Municipal para análise e votação.