Por Ivanaldo Mendonça — O dicionário define amor como sendo o máximo desejo do bem a alguém ou alguma coisa. De maneira geral, não temos duvidas a respeito do amor que dispensamos, sobretudo, às pessoas. No entanto, é comum encontrar a quem, desapontado, justifique suas decepções com razões referentes ao amor: amei demais e não fui correspondido; amei demais e não fui compreendido; amei demais e fui traído… De maneira geral ignoramos também que manifestamos, doamos e recebemos amor, sobretudo, a partir dos referenciais que marcam nossa história, da concepção aos elementos externos.

Na verdade, nosso jeito de amar foi construído, a partir dos referenciais que tivemos e temos. Por mais que amemos alguém, nosso jeito de amar acaba por sujeitar o ser amado ás nossas condições e critérios. A mãe cobra caro pelo amor dispensado ao filho revelando-se possessiva; o pai cobra caro pelo amor dispensado ao filho impondo moedas de troca pelo que faz ou deixa de fazer; o amigo cobra caro pelo amor que dispensa regendo a relação por custos e benefícios.

Na verdade a medida do nosso amor somos nós mesmos. Amamos quem se sujeita á nossa medida. Isso explica porque, humanamente, não conseguimos amar a tudo e a todos. Esta constatação, mais que juízo de valor, revela nosso limite, até onde podemos ir. É muito bom que saibamos, compreendamos e administremos essa verdade.

O mandamento do amor é antigo, está na essência de cada ser criado a imagem e semelhança de Deus, o qual a carta de apóstolo João, define categoricamente: “Deus é amor” (1 João 4,8). A novidade está em Jesus Cristo que, não apenas recupera, recorda e ensina o mandamento do amor, mas atualiza este mandamento fazendo de Si mesmo o referencial: “Amai-vos como eu vos amei” (João 13,34-35), registrado no Evangelho.

Jesus ama como posse, barganha ou interesse? Não! A resposta está na cruz: Jesus ama doando-se por inteiro, abrindo mão de si em favor de outros, não penas de alguns, mas de todos, tanto os que reconhecem quanto os que não reconhecem e até rejeitam Seu amor. Jesus ama de graça, porque ama, revelando, concretamente aquilo que Deus é: amor.

Amar do jeito certo é amar do jeito de Jesus, buscando, pelas vias da fé, maturidade e equilíbrio suficientes que nos permitam se livres a ponto de acolher e amar o outro como ele é, o que não significa concordar com tudo o que ele faça, conferindo ao amor qualidade genuína de respeito e liberdade. Só é livre no amor quem ama não do seu jeito, escravizante, mas do jeito libertador de Jesus. Ame muito! Ame do jeito certo! Ame do jeito de Jesus!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia

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