selo-ivanaldo_thumb.jpgPor Ivanaldo Mendonça — Nascida em 1869, no Sudão, um dos países mais pobres da África; tirada da família ainda criança; raptada, escravizada e vendida por comerciantes. Não se sabe seu nome, no entanto, seus vendedores chamaram-na ‘Bakhita’, que significa ‘afortunada’. Na tentativa de escapar, novamente presa, foi vendida a pessoas cruéis que marcaram seu corpo com cortes de navalha. Peito, ventre e braços receberam 114 cortes profundos, esfregados no sal para ficar bem abertos.

Por ocasião de uma viagem de seus donos, foi deixada sob os cuidados de freiras, na cidade italiana de Veneza, onde conheceu Jesus Cristo e o Evangelho. Manifestando o desejo de se tornar religiosa; liberta, recebeu o nome de Irmã Josefina. Destacou-se pela humildade; desenvolveu trabalhos simples: sacristã, porteira no convento, cozinheira, lavadeira, porteira no seminário… Como indício de sua intimidade com Deus, relata a história que, ainda criança, admirava o céu, a lua e as estrelas, perguntando-se: “Quem será o patrão de todas estas coisas?”

Aos 78 anos, doente, quase sem forças, na cadeira de rodas, passava horas em oração. Os últimos tempos de vida foram marcados pelos sofrimentos da escravidão que ainda atormentavam seu inconsciente. Testemunhou que sua libertação definitiva, a libertação espiritual, fora intermediada por Nossa Senhora. Falecera em 08 de fevereiro de 1947. Sua fama espalhou-se e muitos recorriam a seu exemplo de fé. Em 1992 foi proclamada beata; no ano 2000, canonizada pelo Papa João Paulo II.

Ouvi seu nome pela primeira vez através de um professor de teologia que, não obstante a rigidez, sempre encontrava brechas nas aulas para referir-se a Josefina Bakhita; enquanto o fazia, chorava. Havia morado no seminário em que ela trabalhava como porteira. Esperávamos sempre que enumerasse grandes feitos, falas imponentes, prodígios ou sinais especiais realizados pela Santa Negra que justificassem as lágrimas daquele italiano sisudo. Nada… Ao falar de Santa Josefina Bakhita, o Padre Guido Bogoto referia-se ao sorriso daquele Ano Negro, como a chamava. ‘Seu sorriso tocava bem no fundo de nossas almas’, afirmava.

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Uma das principais virtudes de Bakhita era o sorriso através do qual conquistava os corações e a alegria com que fazia todas as coisas. Ria de si mesmo e brincava, mesmo falando seriamente. O que há de extraordinário nisso? Tudo! Extraordinário e simples, ao mesmo tempo. Num mundo marcado por caras e bocas que, não obstante o vasto progresso e conquistas nas dimensões tidas como fundamentais ao alcance da tão sonhada felicidade, nunca foi tão raro encontrar sorrisos que brotem da alma e que toquem as almas.

Na literatura bíblica à figura do profeta é atribuída a dupla missão: anunciar e denunciar. Anunciar as maravilhas de Deus e denunciar tudo o que não corresponde à Sua vontade, orientando o povo à fidelidade na fé. Sobre a vida de Josefina Bakhita, humanamente, salta aos nossos olhos, sofrimento e dor; aos olhos da fé, deparamo-nos com um exemplo a ser seguido. Alguém que, não obstante dificuldades que justificassem plenamente sua escravidão na amargura e lamentação, optou pela liberdade, através do sorriso.

O mundo precisa, cada vez mais, de homens e mulheres que, na força da fé, sejam profetas do sorriso.

Santa Josefina Bakhita, profeta do sorriso: rogai por nós!

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

[email protected]

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