Por Ivanaldo Mendonça — A Igreja no Brasil comemora, anualmente, na segunda semana do mês de Agosto, a Semana da Família. No contexto do mês vocacional a iniciativa propõe aos cristãos católicos e pessoas de boa vontade, rezar, refletir e celebrar, a partir do chamado á vida e á fé cristã, a vocação específica através da qual cada pessoa ocupar seu lugar no mundo, realizando-se humanamente, vivendo o dom da fé recebido no Batismo, inserida na Igreja, comunidade dos discípulos de Cristo e, no exercício pleno da cidadania, colaborando na construção de uma sociedade mais justa e solidária.

O tema “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24,15) insira a celebração da Semana da Família 2020. Baseado no capítulo 24 do livro de Josué, a passagem expressa a convicção do sucessor de Moisés que, após relatar as muitas maravilhas realizadas por Deus em favor do povo de Israel (do chamado ao patriarca Abraão, á libertação da escravidão do Egito e entrada na terra prometida), contrapõe a fidelidade de Deus á postura de deuses pagãos, questionando: “A que vocês querem servir?” e respondendo: “Eu e minha família serviremos ao Senhor”.

A semana da família concede-nos a oportunidade de refletir acerca da qualidade de nossa relação para com Deus, relação que deve ser medida pela fidelidade á prática dos valores fundamentais á vida e à fé. Multiplicam-se constantemente, as propostas a que nós e nossas famílias abracemos o adultério como condição natural de vida, traindo
valores e condutas irrenunciáveis a quem, como Josué e sua família, reconhece a ação poderosa e amorosa de Deus a conduzir-lhes os passos ao longo do caminho da vida.

A cultura de morte que considera a vida humana descartável e submissa a quaisquer outros interesses; o relativismo que corrompe a escala de valores fundamentais submetendo-os a critérios egoístas de pessoas, grupos e ideologias; a indiferença que renega ao esquecimento o reconhecimento do outro como imagem e semelhança de Deus.

A conduta de infidelidade tem como consequência a contradição pessoal, familiar e social, o que explica os muitos flagelos enfrentados pela humanidade, das enfermidades da mente e do coração ás grandes tragédias mundiais.

Tendo Jesus Cristo como Senhor as famílias cristãs católicas devem assumir como critério de vida e cainhada:

  1. A fé, como fidelidade a Deus;
  2. A escuta e aprofundamento da Palavra de Deus, como escola da fé;
  3. A oração pessoal e familiar como combustível da fé;
  4. A vida eclesial-comunitária como extensão da Igreja doméstica;
  5. O diálogo como dom de se dar e acolher o outro, amorosamente;
  6. O perdão, como reposta do coração amoroso às feridas que nos são abertas;
  7. A partilha, expressão do coração que se doa, sobretudo, aos mais necessitados.

Assim, convictos expressamos: Nós e nossas famílias serviremos ao Senhor.

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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