Por Ivanaldo Mendonça – A quem se propõe assumir a vida como dom e missão, percorrendo o caminho que favorece a evolução, tendo em vista o amadurecimento em todas as dimensões, faz-se necessário dedicar tempo cronológico, espaço na mente, no coração e no espírito para deter-se nesta questão. O “sobre o que conversais ao longo do caminho?” diz muito mais a nosso respeito do que possamos imaginar.

Importante é alcançar, quanto antes possível, esta clareza, de maneira consciente, livre e responsável. O empreendimento proposto tem como principal intenção favorecer o confronto entre ‘o que penamos ser’ e ‘o que realmente somos’. Isso porque, de maneira geral, alimentamos a ilusão de sermos, perfeitamente, aquilo que pensamos a nosso respeito, assim como, temos uma ideia supervalorizada, positivamente, acerca de nós mesmos. Nesse sentido, o adágio: “Não somos o que pensamos ser, mas sim, o que fazemos” provoca-nos, saudavelmente.

Se com a biologia aprendemos que ‘somos aquilo que comemos’, da psicologia aprendemos que ‘somos, dentre outras coisas, aquilo que falamos’. Ao compreender o tom e conteúdo de fala como extensão, não apenas do pensamento, mas de todo o ser, estas considerações encontram sentido e significado. A visão holística advoga a compreensão do ser humano em sua globalidade enquanto a visão fragmentada considera o ser humano em compartimentos estanques, contrariando, inclusive, regras naturais, como a lei de causa e efeito.

Quando no Evangelho Jesus pergunta a seus discípulos “O que discutíeis pelo caminho?” (Marcos 9,33) Ele, que sabia, exatamente, o conteúdo da conversa, não fez, uma simples especulação, como estamos acostumados a fazer. Além de revelar-se onisciente, do ponto de vista humano, Jesus provoca em seus seguidores, um enfrentamento com a verdade, não apenas acerca do conteúdo de sua fala, mas, também, e principalmente acerca de quem eles eram ou estavam sendo até aquele momento.

A resposta dos discípulos faz pensar. Ficaram calados, porque, ao longo do caminho, discutiram sobre quem seria o maior.

E nós? Sobre o que temos conversado ao longo do caminho da vida? Qual o teor, não apenas do que verbalizamos, mas, também, de nossos pensamentos e sentimentos? Qual o teor de nossa oração?

Sobre o que falamos a Deus?

As respostas a estas questões, aparentemente simples, têm muito a dizer sobre nós. Conceda-se o direito de enveredar pelo caminho do autoconhecimento e da maturidade. Nem sempre será fácil, mas sempre valerá a pena!

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

[email protected]

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