Por Ivanaldo Mendonça — A conclusão do calendário celebrativo da Igreja, o ano litúrgico, através da solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, sob o título de Rei do Universo, evidencia o império de Cristo sobre todas as realidades, assim como, confirma o pleno cumprimento das promessas de Deus em favor de seu povo, ao longo de todos os tempos. Os escritos bíblicos atestam esta verdade e, para expressá-la, servem-se da linguagem própria de seu tempo histórico, no esforço por favorecer que os discípulos de Jesus não esmoreçam na vivência da fé e cumprimento de sua missão.

Referindo-se ao chamado ‘fim dos tempos’ ou ‘julgamento final’, as Sagradas valem-se do gênero literário denominado ‘apocalíptico’. A palavra apocalipse significa ‘desvelar’, ‘tirar o véu’, ‘revelar’. Sendo assim, esta forma de escrita serve-se de imagens fortes e impactantes, não necessariamente reais, para transmitir a mensagem de forte teor profético, ou seja, referente ao que vai acontecer. Por detrás das imagens e figuras utilizadas pela linguagem apocalíptica está o mais importante, sua a mensagem e conteúdo.

“Naqueles dias, depois da tribulação, o sol vai escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas. Então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunira os eleitos de Deus de uma extremidade á outra da terra” Assim o Evangelho Segundo Marcos (Marcos 13,24-26) descreve a chamada ‘segunda vinda de Cristo’. Sem duvidas, uma mensagem impactante que, se não compreendida em seu contexto e forma de expressão, gera muitos equívocos.

Os redatores sagrados objetivam chocar. Sua mensagem é dirigida ás primeiras comunidades que aguardavam, em breve tempo, o retorno triunfal de Cristo, pois passavam por grandes tensões e crises, sobretudo, as muitas perseguições impostas aos cristãos. A escrita apocalíptica, muito mais que aterrorizar conforta e suscita esperança, atestando: não obstante os muitos enfrentamentos, a palavra definitiva é de Deus que, para fazer valer Seu poder, abala todas as realidades, inclusive aquelas sobre as quais o homem não possui domínio algum, os astros e estrelas.

Quanto ao dia e hora? Aos verdadeiros cristãos isso pouco importa, seja porque o agir de Deus não está circunscrito ás realidades mensuráveis, pois as medidas de tempo são, puramente, resultado de consensos humanos, seja porque, mais importante é estar preparado, o que significa viver em profunda sintonia com o coração de Deus, no seguimento fiel de Jesus e amor aos irmãos.

Já pensou e reconheceu as tantas vezes que Deus agiu, poderosamente, sobre sua história, como que fazendo o sol deixar de brilhar e as estelas caírem? Ou esperas que isso aconteça, de fato, para crer? Não dará tempo! Antes disso morrerás! Obrigado Senhor, por mover, continuamente, os astros e estrelas em favor de todos aqueles que, ao longo dos tempos testemunham Seu poder salvador. Jesus chega e volta todos os dias! Ele é o sol de nossas vidas! Jamais deixará de brilhar!

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

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