DA REDAÇÃO — A investigação da Polícia Civil contra uma influenciadora digital do ramo de apostas online ganhou novo peso após a morte de um morador de Olímpia, que, segundo a polícia, teria acumulado dívidas com jogos virtuais e agiotas antes de tirar a própria vida. O caso foi citado pelo delegado Fernando Tedde durante entrevista coletiva sobre a Operação “Destino Oculto”, deflagrada nesta segunda-feira (25) pelo Deic de Rio Preto, mas sem identificá-lo.

De acordo com a investigação, a viúva do homem registrou boletim de ocorrência em setembro do ano passado, logo após o fato, apresentando prints de links de apostas atribuídos à influenciadora investigada.

A denúncia passou a integrar o inquérito conduzido pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic), que apura suspeitas de estelionato eletrônico, exploração ilegal de jogos de azar, lavagem de dinheiro e possível ligação com organização criminosa.

Material apreendido da varoa influenciadora

A Polícia Civil afirma que o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 100 milhões por ano por meio de plataformas de apostas eletrônicas, utilizando empresas de fachada, contas de terceiros e fintechs para ocultar a origem e o destino dos recursos.

Na operação desta segunda-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em condomínios de alto padrão em São José do Rio Preto e Olímpia. Também houve diligências em endereço ligado ao contador da investigada, apontado como integrante da estrutura financeira do esquema.

Segundo o delegado Fernando Tedde, foram apreendidos veículos de alto valor, dinheiro em espécie, celulares, equipamentos eletrônicos e até canetas emagrecedoras durante as buscas.

Investigação começou após denúncia da família

A apuração teve início há cerca de seis meses, após familiares do morador de Olímpia procurarem a polícia pedindo investigação sobre as circunstâncias da morte e o funcionamento do sistema de apostas.

O delegado Adriano Pitoscia instaurou o inquérito para rastrear a estrutura financeira ligada às plataformas digitais divulgadas pela influenciadora. A polícia afirma que a análise bancária autorizada pela Justiça identificou movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

Durante a coletiva, Tedde afirmou que a investigação aponta uma atuação “estruturada, com divisão de funções”, característica que, segundo ele, pode configurar organização criminosa.

A polícia sustenta que a influenciadora utilizava seu perfil nas redes sociais — com mais de 30 milhões de seguidores — para atrair usuários para plataformas de apostas online. Outros integrantes do grupo seriam responsáveis pela movimentação financeira e ocultação patrimonial.

Polícia suspeita de lavagem ligada ao crime organizado

Os investigadores afirmam ter encontrado indícios de movimentações financeiras consideradas ilícitas além dos valores provenientes das apostas.

“Não é dinheiro só do jogo, tem um dinheiro ilícito sendo movimentado por uma grande organização criminosa”, declarou Tedde na coletiva.

Segundo a polícia, empresas eram abertas e fechadas rapidamente para dificultar rastreamento financeiro. O grupo também utilizaria contas em nome de familiares e terceiros.

Apesar da operação, os principais investigados não foram localizados durante o cumprimento dos mandados. A influenciadora, segundo a Deic, reside atualmente em Orlando, nos Estados Unidos.

A Polícia Civil informou que os nomes dos investigados seguem sob sigilo para não comprometer o avanço das apurações. A investigação continua para identificar novos envolvidos e aprofundar a análise do material apreendido.

Operação alcançou Olímpia

A operação teve desdobramentos em Olímpia porque um dos endereços alvo das buscas está localizado no município. A cidade também aparece no centro da investigação por causa da denúncia apresentada pela família do morador que morreu após o endividamento relacionado às apostas online.

O caso reacende o debate sobre a divulgação massiva de jogos virtuais por influenciadores digitais e o impacto financeiro e psicológico causado em usuários que acabam entrando em ciclos de perdas e dívidas.