Exclusivo / Da Redação — Finalmente, transcorridos 21 dias após o Acórdão assinado pelo juiz-desembargador José Orestes de Souza Nery, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, rejeitando embargos e confirmando a pena de 18 anos e 8 meses de prisão, saiu o mandado de prisão expedido na tarde desta quinta-feira (20), assinado pelo juiz Eduardo Luiz de Abreu Costa, do Fórum de Olímpia, contra o delegado aposentado de Itu (SP) Moacir Rodrigues de Mendonça, 64 anos, que estuprou a neta, então adolescente há três anos, L.A.M.M, em um quarto do Tuti Resort, em Olímpia.

Pelo fato de Mendonça ser delegado aposentado, a prisão será cumprida pela Corregedoria da Polícia Civil.

A decisão da 9ª Câmara de Direito Criminal do TJ, obtida com exclusividade pelo Diário, no último domingo (16) foi tomada no julgamento dos embargos de declaração impetrados pela defesa.

Esse tipo de recurso visa a dirimir eventuais dúvidas em relação ao acórdão do Tribunal. A defesa apontava possíveis contradições e omissões na decisão condenatória. Mas os argumentos foram rejeitados pelo relator, desembargador Souza Nery. “Não vislumbro os vícios apontados pelo embargante Moacir”, escreveu.

O juiz Eduardo Luiz de Abreu Costa é o mesmo que gerou polêmica no ano passado ao absolver o ex-delegado e avô da vítima, hoje com 19 anos, mesmo reconhecendo que houve ato sexual e ainda sugerir que houve consentimento da vítima.

Por isso, a mãe de L.A.M.M, Virna Heloísa Rodrigues de Mendonça (foto), residente em Rio Preto, estava vindo todos os dias, desde que saiu a confirmação da condenação de seu pai, para cobrar e ficar na porta do Fórum de Olímpia, trajando camiseta “Estupro é Crime. A culpa nunca é da vítima”. A mãe concedeu entrevista ‘ao vivo’ para o Diário (Facebook e, posteriormente, no Portal), relatando o seu drama, inclusive de buscar a prisão do próprio pai mas, ao mesmo tempo, procurar reparar o crime cometido contra a sua filha que, por causa do ato de seu avô, então querido, tentou o suicídio por duas vezes.

Em mais uma ‘via crucis’ ao Fórum local, na tarde desta quinta-feira, Virna foi ‘barrada’ por um escriturário que, segundo ela, ele tinha ‘ordens do juiz’ para que ela não olhasse a movimentação que teve o processo, na esperança de que o mandado de prisão havia sindo expedido (que ela vira na internet). “Ele disse que só vai deixar ver o processo as partes e os advogados”, teria dito o funcionário. “Mas, eu sou parte, sou mãe da vítima, eu que abri esse processo”, retrucou Virna. A negativa se manteve: “Quantos anos tem a sua filha hoje, ela já é maior de idade, onde ela está?”. A mãe respondeu: “Em outra cidade”. O funcionário aconselhou: “Traga ela, houve movimentação, sim, mas só ela pode ver”.

Já era tarde para enfrentar rodovia movimentada. Virna ficou irritada, ligou para os seus advogados e só veio saber, através da advogada Andrea Cachuf que, finalmente, saiu o mandado de prisão contra o seu pai, o avô de L.A.M.M., o ex-delegado, hoje em Sorocaba (SP).

“Eu fiz isso pela minha filha, tenho até irmã que é contra mim, que depende do dinheiro do pai, mas o que ele fez, tem de pagar”, disse a mãe para o Diário no final da noite.

E, concluiu: “Está sendo muito difícil para mim, com a confirmação do mandado de prisão, passei mal, ainda estou digerindo tudo isso, mas é pela minha filha, acabou com a vida dela, nem vida social tem, o perfil em redes sociais não tem o seu nome, sofre bullying, é rotulada de tudo quanto é nome, mas Deus sabe o quanto ela sofre e todos nós. Quem sabe, agora, a Justiça da terra também será feita”.

REVEJA A ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A MÃE VIRNA:

Parte 1

Parte 2

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