Por Ivanaldo Mendonça — “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam”? (Lucas 13, 23). Ao invés do esperado ‘sim’ ou ‘não’, pedagogicamente, Jesus, opta por iluminar as mentes e aquecer os corações; serve-se da ocasião para catequizar, favorecendo, aos seus interlocutores, mergulhar nas profundezas do amor de Deus. O desenrolar dos fatos esclarece, educa, abre horizontes e fortalece a fé.

São poucos os que se salvam? A pergunta reflete a mentalidade arraigada no Antigo Testamente e fortemente difundida ao longo da história, segundo a qual, a salvação é fruto do mérito humano. Á medida que o homem cumpre leis e preceitos, necessariamente, Deus é obrigado a salvá-lo e, caso contrário, a puni-lo. Atrelou-se, também, á lógica da meritocracia espiritual, prosperidade material como sinônimo de bênçãos e carência como sinônimo de maldição.

A resposta de Jesus esclarece. Ele tira das mãos do homem e da lógica retirbutiva o poder de salvar. “Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater…”. A casa não é do homem, a porta não é do homem. É Deus quem toma a iniciativa de salvar: “Deus nos amou primeiro” (1 João 4,19) atesta João. Imerso no mar do pecado o homem nada pode fazer, que não, afogar-se cada vez mais.

Deus ama de graça! Do alto de Seu poderio faz-Se próximo e, em Jesus, habita entre nós. O nome Jesus significa: ‘Deus salva’. No contexto da história da salvação, o percurso espiritual que tem Jesus como referencia considera o Antigo Testamento como tempo de preparação e, o Novo Testamento como tempo de cumprimento. Fundadas na lógica retributiva, expressões religiosas que apresentarem Jesus como centro de sua fé se contradizem, pois assumem o lugar de Deus.

A chamada ‘teologia da prosperidade’ contradiz o Evangelho. Jesus não promete riqueza material e vantagens a Seus discípulos.

Quem procede retamente, reconhecendo a grandeza de Deus que ama e quer salvar, responde a esta oportunidade de maneira consciente, livre e responsável; assume e vive as agruras da vida como caminho de superação; ajusta-se ao que pede Seu Senhor.

Quem salva é Deus! Deus é quem salva!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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