Por Ivanaldo Mendonça — Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados heróis nacionais, como se a história do Brasil tivesse sido construída apenas pelos europeus e seus descendentes. Confirmando a máxima “a versão oficial da história é contada pelos que mandam,”, são raras as referências aos heróis negros que tombaram nestas terras, e que muito contribuíram para a formação da nação.

Em 2003, o projeto de lei 10.639, estabeleceu 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. Neste dia, em 1695, morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, defendendo o povo negro no combate à escravidão. O propósito do Dia Nacional da Consciência Negra, além de conscientizar sobre a importância da cultura do povo africano na formação da cultura nacional, é refletir sobre a inserção do negro nos diversos espaços da sociedade: educação, emprego, habitação, saúde, arte, literatura, mídia, política…

Timidamente, 20 de Novembro vai sendo abraçado. Diversos municípios decretam feriado, sem, porém, dedicar a devida atenção ao propósito. Para muitos, feriado é sinônimo de fuga do trabalho. Encabeçada por grupos, associações e movimentos Afro-descendentes, a Semana da Consciência Negra acontece em muitos lugares. Inegável constatar que muitos, inclusive negros, interpretam a comemoração como desnecessária, reforçadora das diferenças raciais.

Fundamental é celebrar as marcas indissolúveis, gravadas em nós, de tantas formas, pelo povo negro. Externamente: o colorido das vestimentas, o gingado dos ritmos, a culinária, as expressões religiosas.

Internamente: a alegria, a perseverança, a coragem, a determinação, a fé, a capacidade de superação. Verdade inquestionável: impossível definir a identidade do povo brasileiro sem considerar as profundas, importantes e eternas marcas da raça negra.

Na contramão de seus algozes, de ontem e de hoje, que o povo negro continue ocupando seu espaço, mesmo a passos lentos, servindo-se da mais poderosa arma que possui: o sorriso negro.

Como ensina a canção: “Um sorriso negro, um abraço negro traz felicidade (…), negro é a raiz da liberdade”. Não estão sozinhos! Nesse sentido, todos os que empunham o sorriso como arma que toca profundamente o coração, negros também são. É muito bom sentir e saber que somos muitos, que somos negros, negros de todas as cores!

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

[email protected]

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here