Em grandes proporções, o fenômeno da globalização ultrapassa as esferas econômica, comercial e política. Solidariedade, fraternidade, filantropia e humanização são conceitos amplamente explorados. Em pequenas proporções, somos constantemente convidados a colaborar com campanhas e eventos que levantam esta bandeira.

O conceito de partilha está arraigado no inconsciente coletivo da humanidade. Fazer, ofertar e doar são imperativos diretamente associados à bondade, retidão de caráter, maturidade humana e espiritual. Porém, não ignoremos que, em geral, a prática da partilha está restrita ao alcance das mãos, pés e bolso; partilhamos algo fora de nós. Embora louvável, esta postura ignora que a maior necessidade humana não é receber algo, mas sim, acolher alguém. Dar de si mesmo, embora nobre, é largamente diferente e proporcionalmente inferior a dar a si mesmo.

Atentamente, Ele observa como as pessoas depositam suas ofertas no cofre do templo. Os holofotes se voltam sobre uma viúva, que ofertara duas moedas de pouco valor. “(…) Esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmola. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

Se o foco fosse quantidade certamente um rico se destacaria, porém, o foco era intensidade. Jesus observava “o como” e não “o quanto”. No contexto bíblico a viúva é relegada a viver de esmolas, por não haver quem dela cuide. Ofertando tudo o que possuía, ela oferta-se a si mesmo, por inteira, sem reservas, assumindo, inclusive, risco de morte, uma vez que dependia, fundamentalmente, daquelas moedas. O que, de fato, dignifica o ser humano é a capacidade de doar-se, ofertar-se, compartilhar-se, de forma que o coração acompanhe o movimento feito pelas mãos, pés e bolso.

Pais, mestres e líderes não assimilam as razões pelas quais seus filhos, alunos e liderados não correspondem positivamente ao que fazem, doam e ofertam. De difícil aceitação, a resposta é simples: faz-se com as mãos, os pés e o bolso, mas não com o coração; doando o que está fora e não a nós mesmos, o amor dispensado é medido pela quantidade e, quando faltam coisas, o amor, que nunca foi AMOR, deixa de existir.

O individualismo e egoísmo convivem confortavelmente com atitudes externas que não consideram o coração como critério e condição essencial para que o ser humano seja e faça o outro feliz. Compartilhar exige, necessariamente, compartilhar-Se, ser partilhe Assim, alcançamos o sentido profundo que levou Jesus a derramar seu próprio sangue, compartilhando-se, sendo partilha, por amor a humanidade.

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia,

[email protected]

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