DA REDAÇÃO — Uma operação da Polícia Civil prendeu 18 pessoas nesta segunda-feira (30) por envolvimento em um esquema de fraudes em financiamentos de veículos que movimentou mais de R$ 129 milhões em cinco anos no interior paulista. A ofensiva também teve desdobramento em Severínia, município que integra a Comarca de Olímpia.

A ação ocorreu em Catanduva, São José do Rio Preto, Severínia, Paraíso e Pindorama. Ao todo, foram apreendidos 56 veículos, 45 celulares, 198 cartões bancários, um revólver, 300 munições, além de joias e relógios.

Segundo a investigação, o grupo usava “laranjas” para firmar contratos de financiamento de veículos de alto valor, já com a intenção de não pagar as parcelas.

Depois do bloqueio dos carros, os investigados negociavam as dívidas com bancos e financeiras por valores menores. Com a pendência regularizada, os veículos voltavam ao mercado e eram revendidos pelo valor original, o que, de acordo com a polícia, gerava lucro ilícito e prejuízo ao sistema financeiro.

Esquema envolveu 278 veículos

Entre janeiro de 2020 e janeiro de 2025, a investigação identificou 278 veículos ligados ao esquema, avaliados em R$ 22,6 milhões.

Com base nas apurações, os policiais cumpriram 21 mandados de prisão temporária e 52 mandados de busca e apreensão na operação, batizada de Axis. Também foi pedido o bloqueio de bens e contas bancárias dos investigados. Três suspeitos seguem foragidos.

Polícia aponta divisão de tarefas

As investigações indicam que a organização tinha núcleos distintos e interdependentes, com divisão clara de funções.

De acordo com a polícia, a liderança concentrava o comando estratégico e jurídico do esquema, enquanto outros grupos atuavam na gestão, ocultação e circulação dos veículos, o que dificultava o cumprimento de ordens judiciais.

Havia ainda um núcleo voltado à falsificação de documentos financeiros, usado para viabilizar a aprovação fraudulenta dos financiamentos. A apuração também identificou uma estrutura empresarial voltada à ocultação patrimonial e à lavagem de dinheiro.

Interceptações telefônicas e quebras de sigilo bancário, segundo a investigação, apontaram atuação contínua e estruturada do grupo. A polícia também identificou uso de contas de terceiros para dificultar o rastreamento dos valores e grupos segmentados de comunicação para coordenar as ações.

Presos vão responder por três crimes

Os 18 presos foram levados para a delegacia e ficaram à disposição da Justiça.

Eles devem responder por associação criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro.