selo-ivanaldoPor Ivanaldo Mendonça — Os acontecimentos dramáticos das últimas semanas, como o rompimento das barragens na cidade de Mariana (MG) e os ataques terroristas à França, despertam atenção. Na verdade, o que chama atenção, não são os fatos em si, pois todos os dias, em maior ou menor proporção, eles acontecem: massacres no Oriente Médio, milhares de refugiados mortos, crimes ambientais…

Levados por uma onda de comoção, obrigatoriamente, temos que nos posicionar, por real solidariedade ou necessidade de amortizar o peso da consciência. Para fazê-lo com glamour, ‘somos todos franceses’ soa melhor que ‘somos todos mineiros’, a imagem da torre Eiffel é menos impactante que a do mar de lama.

Para além da comoção, os fatos possibilitam-nos refletir sobre os rumos da humanidade. Nesse sentido, vaguear entre direcionadores de códigos morais, afirmando, discordando ou legislando a partir do ‘bem e mal’, ‘certo e errado, ‘justo e injusto’, não é suficiente, pois não resolve o problema. O moralmente certo está intimamente atrelado e, consequentemente dependente da realidade, referências e valores próprios de cada sociedade, cultura e época.

A moral, entendida como conjunto de normas que orientam o comportamento humano tendo como base os valores próprios a uma dada sociedade, muda de acordo com a necessidade.

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Questões importantes e fundamentais ao ser humano e à humanidade, geralmente varridas para debaixo do tapete, para além da dimensão moral, precisam ser consideradas sob o ponto de vista ético.  No sentido amplo, a ética, mais que legislar, buscar estudar os códigos morais, sua razão de ser, seu sentido e significado, compreender a fundamentação das normas, explicitar as concepções sobre o ser e a existência humana que as sustenta, orientando-se pelo desejo de unir o saber ao fazer, aplicar o conhecimento sobre o ser para construir aquilo que deve ser.

Originalmente ética e moral, não se contradizem.

Enquanto a moral atua sobre a coletividade, a ética, sem desconsiderar este elemento, atua também sobre que é relativo ao sujeito, o caráter, a formação do caráter, abarcando elementos fundamentais como: o desejo do bem, o sentido de felicidade, o real significado de liberdade, o exercício da responsabilidade e a plena vivência do amor.

Sem aprofundar a reflexão acerca dos elementos estruturantes ao ser humano e à humanidade, temos que nos acostumar com o terrorismo armado e, pior ainda, as muitas formas de terrorismos não-armados. Ou refletirmos e recuperamos a essência, o sentido e significado de cada realidade e coisa ou nos afogamos, não em sangue ou lama, mas sufocados pelas próprias mãos.

Éticos ou nada!

Ivanaldo Mendonça, Padre, Pós-graduado em Psicologia, [email protected]tmail.com

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